
A gonartrose, também conhecida como artrose do joelho, é um dos problemas mais frequentes em consultórios ortopédicos. Trata-se de uma doença degenerativa que resulta no desgaste progressivo da cartilagem que recobre as extremidades ósseas do joelho, bem como dos meniscos, que funcionam como amortecedores para o contato entre o fêmur distal e a tíbia proximal.
Essa condição afeta milhões de pessoas ao redor do mundo e pode limitar atividades simples do dia a dia, como subir escadas, caminhar ou até mesmo ficar em pé por longos períodos. Neste artigo, vamos explorar a gonartrose de forma detalhada, mas com uma linguagem acessível, para que você entenda suas causas, como ela é diagnosticada e quais são as melhores opções de tratamento.
O que é a Gonartrose?
A gonartrose é uma doença degenerativa que causa o desgaste progressivo da cartilagem articular e dos meniscos do joelho. Estes tecidos funcionam como um “amortecedor”, permitindo que os ossos da articulação se movam suavemente e sem atrito. Quando essa camada protetora se desgasta, o contato entre os ossos pode provocar dor, inflamação, rigidez e até deformidades.
Embora seja mais frequente em pessoas com mais de 50 anos, a gonartrose também pode afetar indivíduos mais jovens, especialmente aqueles com fatores de risco associados, como obesidade, traumas no joelho ou alterações anatômicas.
Dr. Mario Pacheco Jr – Especialista em Joelho:
Dr. Mario Pacheco Jr é especialista em artrose do joelho (gonartrose). Possui mais de 12 anos de experiência em Clínica e Cirurgia do Joelho, com mais de 600 avaliações positivas – 5 estrelas – no Doctoralia e Google:
- Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
- Sócio Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ)
- Mestrado em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO)
- Fellowship em Cirurgia do Joelho – Lyon School of Knee Surgery – Lyon, França
- Membro do Grupo de Cirurgia do Joelho da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e dos Hospitais Copa D’Or e Glória D’Or
Epidemiologia: Quem é mais afetado pela Gonartrose?
A gonartrose é uma das condições ortopédicas mais prevalentes no mundo.
- Idosos: Cerca de 10% a 15% das pessoas acima de 60 anos apresentam sinais clínicos de gonartrose.
- Mulheres: Após a menopausa, as mulheres são mais propensas à doença devido a alterações hormonais que afetam a saúde articular.
- Obesidade: O excesso de peso aumenta em até quatro vezes o risco de desenvolver artrose nos joelhos.
- Traumas e lesões esportivas: Indivíduos que já sofreram lesões nos joelhos, como rupturas de ligamentos ou lesões de menisco, também têm maior predisposição.
Estima-se que a gonartrose seja responsável por 25% das consultas ortopédicas relacionadas a dor no joelho, tornando-se uma das principais causas de incapacidade funcional no mundo.
Etiologia: Por que a Gonartrose Ocorre?
A artrose do joelho ocorre devido a um desequilíbrio entre os processos de regeneração e degradação da cartilagem articular. Esse processo pode ser desencadeado por diversos fatores:
1. Envelhecimento
O desgaste natural das articulações ao longo dos anos é a principal causa de gonartrose. Com o tempo, a capacidade do corpo de regenerar a cartilagem diminui, tornando-a mais vulnerável ao desgaste.
2. Traumas e Lesões Prévias
Fraturas, lesões ligamentares (como ruptura do LCA) e danos aos meniscos podem alterar a biomecânica do joelho, levando ao desgaste precoce da articulação.
3. Sobrecarga Mecânica
O excesso de peso e atividades de impacto contínuo aumentam significativamente a carga sobre o joelho, acelerando o processo de degeneração.
4. Alterações Anatômicas
Condições como o joelho varo (desalinhamento que sobrecarrega o lado interno do joelho) ou joelho valgo (sobrecarrega o lado externo) também favorecem o desenvolvimento da gonartrose.
5. Doenças Sistêmicas
Artrite reumatoide, gota e outras condições inflamatórias podem contribuir para a degeneração da cartilagem articular.
Fatores de Risco: Quem Está Mais Vulnerável?
Diversos fatores aumentam a probabilidade de desenvolver gonartrose:
Idade acima de 50 anos;
Histórico de obesidade ou ganho de peso significativo;
Trabalhos que exigem esforço físico intenso, como levantar pesos ou ajoelhar-se frequentemente;
Esportes de impacto, como futebol, corrida de longa distância e basquete;
Anatomia desfavorável, como joelhos desalinhados ou pés planos;
Falta de condicionamento muscular, especialmente dos músculos que estabilizam o joelho.
Sinais e Sintomas: Como Identificar a Gonartrose?
A gonartrose pode começar de forma sutil, mas os sintomas tendem a progredir ao longo do tempo. Os mais comuns incluem:
Dor no joelho: Inicialmente, a dor surge durante atividades como caminhar, subir escadas ou ficar de pé por muito tempo. Com o avanço da doença, pode ocorrer até em repouso.
Rigidez articular: Sensação de “travamento” ou dificuldade para movimentar o joelho, especialmente pela manhã ou após longos períodos sentado.
Crepitações: Sensação de “estalidos” ou “rangidos” ao movimentar o joelho.
Inchaço: Pode ser causado por inflamação ou pelo acúmulo de líquido na articulação (derrame articular).
Deformidades: Em estágios avançados, pode haver alteração no alinhamento do joelho, levando ao joelho varo (pernas arqueadas) ou valgo (pernas em “X”), ou ainda, em recurvato (esticam em demasia) ou em flexo (não consegue ficar completamente esticado).
Diagnóstico: Como a Gonartrose é Identificada?
O diagnóstico da gonartrose combina a análise clínica com exames de imagem.
História Clínica e Exame Físico
O médico fará perguntas sobre os sintomas, histórico de lesões e estilo de vida do paciente.
Durante o exame físico, avaliará:
- Mobilidade e amplitude de movimento do joelho;
- Presença de dor à palpação;
- Estabilidade articular e força muscular;
- Sinais de inflamação, como inchaço e calor local.
Exames de Imagem
Os exames são essenciais para confirmar o diagnóstico e avaliar o grau de comprometimento articular:
Radiografia: Mostra o estreitamento do espaço articular, presença de osteófitos e esclerose óssea. É o exame mais utilizado.
Ressonância magnética: Avalia lesões de tecidos moles, como meniscos e ligamentos, e detecta alterações precoces na cartilagem.
Tomografia computadorizada: Útil em casos complexos para detalhar deformidades ósseas.
Ultrassonografia: Pode identificar derrames articulares e inflamações na membrana sinovial.
Como Tratar a Gonartrose?
Vamos explorar em profundidade as diferentes estratégias de tratamento, destacando como cada uma pode aliviar os sintomas, melhorar a funcionalidade e devolver qualidade de vida aos pacientes.
Tratamento Conservador da Gonartrose
O tratamento conservador é a primeira abordagem recomendada para a maioria dos pacientes com gonartrose, especialmente nos estágios iniciais ou moderados da doença. Ele inclui uma combinação de mudanças no estilo de vida, fisioterapia, uso de medicamentos e terapias complementares.
1. Modificações no Estilo de Vida
Ajustar hábitos diários é um dos pilares do tratamento conservador. Algumas mudanças importantes incluem:
- Perda de peso: Cada quilo perdido reduz significativamente a carga sobre o joelho. Estudos mostram que a obesidade é um dos maiores fatores de risco para a progressão da gonartrose.
- Adaptação das atividades físicas: Trocar esportes de alto impacto, como corrida, por atividades de baixo impacto, como natação, ciclismo e caminhada em superfícies planas.
- Uso de calçados adequados: Sapatos com bom amortecimento ajudam a minimizar o impacto sobre as articulações.
2. Fisioterapia e Exercícios
A fisioterapia é uma ferramenta essencial no manejo da gonartrose. Um programa bem estruturado pode:
- Fortalecer os músculos: O fortalecimento do quadríceps, isquiotibiais e glúteos melhora a estabilidade do joelho, reduzindo a sobrecarga articular.
- Melhorar a flexibilidade: Alongamentos específicos ajudam a aliviar a rigidez e melhorar a mobilidade.
- Promover o alinhamento postural: Exercícios focados na reeducação postural reduzem a pressão desigual sobre o joelho.
Além disso, modalidades como eletroterapia, ultrassom e crioterapia podem ser utilizadas para aliviar a dor e o inchaço durante as sessões de fisioterapia.
3. Medicamentos
Os medicamentos desempenham um papel importante no controle dos sintomas, embora não revertam o processo de desgaste articular.
- Analgésicos: Paracetamol e dipirona são frequentemente usados como primeira linha de tratamento para alívio da dor. Analgésicos opiáceos podem ser usados em casos refratários.
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): Indicados para reduzir a dor e inflamação em fases agudas. Porém, devem ser utilizados com cautela em pacientes com problemas gástricos, renais ou cardiovasculares.
- Condroprotetores: Substâncias como glucosamina, condroitina, colágeno tipo II e diacereína são amplamente prescritas. São úteis para casos leves, embora tenham eficácia limitada.
4. Infiltrações Articulares
As infiltrações são um recurso minimamente invasivo utilizado para aliviar a dor e melhorar a funcionalidade do joelho.
- Corticosteroides: Reduzem rapidamente a inflamação em quadros agudos, mas seu uso repetido pode enfraquecer os tecidos articulares.
- Ácido Hialurônico: Atua como um lubrificante, melhorando a mobilidade articular e reduzindo o atrito entre os ossos. Seus efeitos podem durar de 4 a 6 meses, na média. Excelentes resultados podem trazer 1 ano de alívio.
- Terapias biológicas (PRP e células-tronco): Injeções de plasma rico em plaquetas (PRP) ou células-tronco têm mostrado potencial para estimular a regeneração tecidual, embora ainda sejam consideradas experimentais.
5. Uso de Órteses e Dispositivos de Apoio
- Joelheiras: Oferecem suporte e estabilidade ao joelho, reduzindo a dor durante o movimento. Devem ser usadas por períodos curtos, tendo em vista a possibilidade de perda de massa muscular pela restrição do movimento.
- Palmilhas ortopédicas: Podem corrigir desalinhamentos e redistribuir a carga articular, especialmente em casos de joelho varo ou valgo.
- Bengalas ou andadores: Auxiliam na mobilidade, diminuindo a pressão sobre o joelho afetado.
Tratamento Cirúrgico da Gonartrose
Quando o tratamento conservador não proporciona alívio adequado dos sintomas ou a doença está em estágio avançado, a cirurgia pode ser indicada. O objetivo das intervenções cirúrgicas é aliviar a dor, corrigir deformidades e restaurar a função articular.
1. Artroscopia do Joelho
A artroscopia é uma cirurgia minimamente invasiva realizada através de pequenas incisões, permitindo ao cirurgião visualizar e tratar problemas dentro da articulação.
- Indicações: Remoção de corpos livres (fragmentos de cartilagem ou osso), reparo de lesões meniscais e lavagem articular para eliminar inflamações.
- Limitações: Embora útil em casos de lesões associadas, a artroscopia não é indicada como tratamento isolado para gonartrose avançada.
2. Osteotomia
A osteotomia é um procedimento que corrige desalinhamentos ósseos para redistribuir a carga articular, aliviando a pressão sobre a área desgastada.
- Indicações: Pacientes jovens, ativos e com gonartrose localizada em apenas um compartimento do joelho.
- Como funciona: O osso é cortado e realinhado, permitindo que a carga seja distribuída para uma área menos comprometida da articulação. Pode ser executada no fêmur distal, usualmente nos casos de deformidade em valgo, ou ainda na tíbia proximal, geralmente nos genos varos. Entretanto, a análise de cada caso deve ser individual, sobretudo nas exceções a esta regra.
- Vantagens: Preserva a articulação natural do joelho e pode adiar ou até abolir a necessidade de uma prótese.
3. Artroplastia de Joelho (Prótese)
A artroplastia, ou substituição articular, é considerada o tratamento definitivo para a gonartrose em estágio avançado.
- Prótese Total: Substitui toda a articulação do joelho, incluindo as superfícies do fêmur, tíbia e patela.
- Prótese Unicompartimental (Parcial): Indicada quando apenas um compartimento do joelho está afetado.
Vantagens da Artroplastia
- Alívio significativo da dor;
- Melhora da mobilidade e funcionalidade;
- Alta durabilidade: as próteses modernas têm uma vida útil de 15 a 20 anos.
O que esperar após a cirurgia?
- O paciente normalmente começa a fisioterapia no dia seguinte à cirurgia, com o objetivo de recuperar a amplitude de movimento e fortalecer os músculos.
- A alta hospitalar ocorre em torno de 48 horas e o paciente sai caminhando com apoio de andador ou muletas.
- A maioria das pessoas retorna às atividades diárias dentro de 3 a 6 meses, dependendo da evolução.
Como Escolher o Melhor Tratamento?
A escolha do tratamento depende de vários fatores:
- Estágio da gonartrose: Casos leves a moderados respondem bem a abordagens conservadoras, enquanto os casos avançados geralmente requerem cirurgia.
- Idade e nível de atividade do paciente: Pacientes mais jovens podem se beneficiar de tratamentos que preservam a articulação, como a osteotomia.
- Qualidade de vida: Se a dor e as limitações impactam fortemente o dia a dia, pode ser o momento de considerar a cirurgia.
Dr. Mario Pacheco Jr – Especialista em Joelho:
Dr. Mario Pacheco Jr é especialista no tratamento da artrose do joelho (gonartrose). Possui mais de 12 anos de experiência em Clínica e Cirurgia do Joelho, com mais de 600 avaliações positivas – 5 estrelas – no Doctoralia e Google:
- Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
- Sócio Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ)
- Mestrado em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO)
- Fellowship em Cirurgia do Joelho – Lyon School of Knee Surgery – Lyon, França
- Membro do Grupo de Cirurgia do Joelho da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e dos Hospitais Copa D’Or e Glória D’Or
Prevenção: Como Proteger Seus Joelhos?
Embora a gonartrose esteja relacionada ao envelhecimento, algumas medidas podem ajudar a prevenir ou retardar seu desenvolvimento:
- Controle do peso: Cada quilo a mais representa uma sobrecarga significativa para os joelhos.
- Exercícios regulares: Fortalecer os músculos ao redor do joelho é essencial para proteger a articulação.
- Evitar atividades de alto impacto: Escolha exercícios de baixo impacto, como caminhada, natação ou ciclismo.
- Trate lesões precocemente: Não ignore traumas no joelho, pois eles podem desencadear problemas futuros.
- Alimente-se bem: Inclua alimentos ricos em antioxidantes e ômega-3, que ajudam a reduzir a inflamação.
Conclusão
A gonartrose é uma condição que pode impactar significativamente a qualidade de vida. No entanto, com um diagnóstico precoce e o manejo adequado, é possível viver bem mesmo com a doença. Desde opções conservadoras até cirurgias avançadas, a medicina oferece uma ampla gama de tratamentos para aliviar a dor e restaurar a funcionalidade do joelho.
Se você enfrenta dores no joelho ou há suspeita de gonartrose, procure um especialista. Com cuidado e acompanhamento adequado, você pode recuperar sua mobilidade e voltar a fazer o que ama!
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